terça-feira, 4 de maio de 2010

Desatai-o, e deixai-o ir

Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono... Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?...E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.

Jesus - João 11:11, 25, 26 e 44



Ante as lutas que nos visitam, no processo ascensional, o desembaraço da indumentária física, tanto quanto a imersão do espírito no pesado casulo da carne, constituiu-se em grande desafio a ser enfrentado.

Muito mais do que imaginamos retemos, enquanto laboramos nos pisos das experiências físicas, sutis fixações de ordem inferior, que somente são desveladas ao adquirirmos a relativa liberdade na condição natural do espírito.

Ecos perturbadores repercutem no recôndito da consciência; clichês instaurados nos períodos das experiências terrenas coadjuvam aos vôos tímidos do pássaro recém liberto, momento em que a mente ainda atormentada identifica mui claramente a distinção entre conhecer, abstrair intelectualmente e vivenciar o Cristo Jesus nas linhas puras de seu Evangelho. O Cristo nos convida a ir além da assimilação intelectual, mas a acústica espiritual revestida do escafandro carnal oblitera a convocação dos Altos Planos.

Qual Lázaro, despertamos do letargo “desatados” dos laços carnais, no entanto carregando ainda, do período de entorpecimento dos sentidos espirituais plenos, as repercussões perturbadoras e repetitivas na intimidade do ser imortal.

O conhecimento basilar espírita, notadamente em sua condição de Evangelho Redivivo, tem nos garantido segurança para caminhar nos níveis dos experimentos reencarnatórios, no entanto, ao aferirmos a estatura íntima em face das grandes provações percebemos que são ainda insipientes os conhecimentos retidos nos escaninhos do intelecto, em seu plano aplicativo.

Conhecer é apenas a anti-sala do Saber Profundo, o Saber implica em uma acentuada e elevada dinâmica.

As posições que nos guindaram na Terra aos grandes compromissos, sejam eles familiares, sociais, profissionais ou nos círculos de atuação Espírita, sobre os quais nos dobrávamos com fervor e dedicação, desvelam-se aos nossos olhos, após o decesso do corpo denso, sob novos prismas – sentimo-nos repentinamente desatrelados das rotineiras disposições que nos conferiam desmedido carinho e responsabilidade, nada obstante, permanecem as inclinações incontinentes de tornarmos a elas na continuidade do zelo, mesmo porque a percepção se nos aclara e passamos a enfocar determinadas questões, antes intrincadas, sob um prisma bem mais conciliador – contudo não nos compete mais intervir. Tornar às diretivas de ordem eminentemente materiais seria negligenciar o convite advindo pelas portas da desencarnação a inscrevermo-nos em outras frentes de labor. Porém, as abstrações profundas e constantes, facultam nova luz à consciência desvendando outros painéis de labores.

Não raro, detentores que somos do conhecimento da realidade espiritual, julgamos estar forrados de quaisquer escolhos ao facear a amiga morte, entrementes a perplexidade tem se repetido, muito mais do que possamos supor nos horizontes da esfera terrena, é o que temos constatado.

O Determinismo de Deus é a Evolução, a Transformação, a Perfeição;

O tamanho desvelo à estrutura doméstica de antanho, expresso na segurança, no amparo moral e espiritual aos seus membros, substitui-se por outros corações diligentes, que tomam de nossas mãos o leme, em nossa ausência...

O carinho dos amigos decenários que nos convocavam a palavra despretensiosa, substitui-se em nosso íntimo pelos clamores da ignorância e do desamparo que passamos a destacar em toda parte...

À rotina afanosa imposta no cumprimento dos deveres com Jesus, nos terrenos da experiência reencarnatória, advém o caminhar sereno, sem pressa, a sedimentar-se mais e mais na convicção da coletividade das ações, e somente assim a evolução se opera...

Ao anseio de servir para merecer as amorosas concessões superiores, que nos ajuntem aos corações amados, perdidos no Dédalo das pelejas milenares, advém a imperturbável convicção, ao atravessar o nebuloso portal do desencarne, que o amor incondicional ao próximo e aos que padecem mais do que nós próprios pela ignorância, é o único penhor de felicidade que o espírito cristianizado pode aguardar.

Paz de Jesus conosco, ânimo no cumprimento de nossos deveres!



Honório Onofre de Abreu

Helaine Coutinho Sabbadini
Muriaé, MG, em 21 de abril de 2010





Honório Abreu nasceu em Belo Horizonte, a 12 de junho de 1930. O tempo reacendeu em Honório o ideal sublimante da evangelização profunda. Às claridades da Terceira Revelação, o sincero cultor da Verdade se destacou pela segurança e sabedoria no trato com os princípios espíritas, utilizando-os, como poucos, para extrair do Evangelho, quanto do Velho Testamento, o espírito que vivifica. Dedicou-se também, com infinito carinho, à evangelização infanto-juvenil, viajando por muitos e muitos anos, em tarefa de divulgação e formação de trabalhadores, por todo o País. Seu discernimento doutrinário e sua prudência administrativa, caridosa, assinalaram à União Espírita Mineira / UEM um período de bênçãos e harmonia, permitindo ao Movimento Organizado um surto de realizações fecundas e abençoadas, de valorização do Espiritismo sério, com Allan Kardec e Jesus Cristo. Preparou com denodo e puro idealismo, junto às comissões de trabalho já definidas, o IV Congresso Espírita Mineiro, em comemoração ao Centenário da União Espírita Mineira. Desencarnou a 13 de novembro de 2007.


Corção Querido

Coração querido escuta, pois para ti desejo falar: no capítulo das relações familiares, sem dúvida alguma, a educação moral e espiritual dos filhos ocupa grande e significativa importância. A este desiderato todo pai e mãe, todo responsável, deve dobrar-se com total empenho e diligência.

O lar constitui-se, sob a Sabedoria e Diretriz Divina, sagrado instituto para a educação das almas. Sem a precisa direção moral-espiritual, sem a instauração do bem, da ética e da fraternidade nos terrenos dos corações infantis o lar abdica de cumprir sua sagrada missão.

O casal cristão, para além dos discursos morais e das diretrizes instrutivas verbalizadas junto aos rebentos, sejam eles no campo da formação ética ou de cunho intelectual comportamental, há de ter sua primordial força no exemplo vivo, genuíno. Genitores ou educadores através da postura ilibada e dos exemplos sadios, ante a vida e os acontecimentos, serão imorredouros referenciais. O educador e evangelizador de almas não se resumem a meros ditadores de normas de conduta, entretanto modelos vivos, cristianizados, a instaurarem através de si mesmos, de suas próprias vidas, roteiro seguro para os caracteres juvenis.

Coração querido, escuta! Os cônjuges em suas relações de respeito mútuo, de fraternidade e amor; de altruísmo e auxílio fraternal não somente estão a auxiliarem-se mutuamente e individualmente dentro do processo evolutivo, mas, concomitantemente, transformam-se em faróis, moldes felizes para aqueles que estão temporariamente e pela misericórdia de Deus debaixo de seus cuidados e tutela. Não há felicidade possível nos horizontes terrenos sem que a Célula Máter, o Lar, esteja iluminada pelos princípios cristãos.

Tanto quanto devem os genitores ou responsáveis esmerar-se pelo encaminhamento e preparação da prole nas várias vertentes do conhecimento filosófico, literário, acadêmico, aquinhoando-a de valores para a vida social e profissional futuras, devem ao mesmo tempo facultar, em prioridade, bases saudáveis e imorredouras de cunho espiritual, de modo que os filhos bem apliquem as azadas aquisições de ordem academicista.

Coração querido, escuta! Não postergues para o amanhã, talvez inacessível, a implantação de normas de conduta moral, espiritual e cristã para ti mesmo e em prol de teus amados!

Sê diligente na vigilância dos conteúdos que invadem porta adentro a intimidade de teu lar, sejam por via de informações e programações televisivas, sejam através de periódicos de menor valor moral ou dos conteúdos virtuais, hoje em dia tão perigosamente acessíveis às mentes infantis e juvenis.

Jamais te descures da implantação do Culto Evangélico no lar, sendo esta sagrada reunião familiar, em torno dos ensinos de Jesus Cristo, disposição primordial para o bem e a segurança dos membros de tua casa.

Coração amigo, coração querido! Malgrado as incitações dos tempos modernos não desconsideres o teu carinho e atenção quanto às atividades de teus filhos fora do lar. Não esperes, inadvertidamente, que jovens com as estruturas espirituais e psíquicas, ainda insipientes e frágeis, tenham a capacidade ou condições de discernirem, para elegerem com propriedade, aquilo que lhes é adequado e benéfico.

Não contamines o teu lar, coração querido, com as constantes bebericagens de teor alcoólico; os palavrórios impróprios ou chulos; as condutas verbais e comportamentais ofensivas, jocosas e desrespeitosas.

O lar – em sua psicosfera – é inegavelmente formado pelas emanações mentais e comportamentais de seus componentes. Não delegues às escolas, aos mestres, ao governo, aos políticos ou a sociedade atitudes que devem começar dentro de tua própria casa. O cidadão consciente, o político probo, o mestre amoroso do amanhã jazem em tua casa aguardando a tua educação e evangelização.

Coração querido, escuta! Meu desejo para ti é de paz, de felicidade pura, de ventura verdadeira! Meu verbo é singelo, meus exemplos ainda pobres, mas atrevo-me a recordar-te que tal felicidade e paz somente serão encontradas nos lares edificados sob as bênçãos do Evangelho do Cristo, sob as benesses da prece e da caridade.

As cizânias, os desregramentos, o caos moral e espiritual, que muita vez instalam-se no contubérnio doméstico serão sempre estranháveis nas instituições domésticas regidas pelas disciplinas consoladoras de Jesus Cristo.

Coração querido, para ti deixo minha palavra de irmão, ainda em vias do aprendizado necessário.



Júlio Cesar Grandi Ribeiro (Julinho)

Helaine Coutinho Sabbadini

Mensagem Psicografada em Reunião Pública no

Grupo Espírita Cristão Leopoldo Machado

Porciúncula, em 02 de maio de 2010











domingo, 2 de maio de 2010

Perdão

Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Mt. 18: 21,22


"O legado da vida é o amor, postado no coração daquele que perdoa."

Palavras ditas para mim, numa das reuniões de nosso Grupo Espírita Leopoldo Machado, por um espírito querido e que muito me fizeram meditar.

Perguntei a mim mesma: perdoar o quê? a quem? Mas a frase me perseguia. A frase ecoava e não saia de minha cabeça.

Como sei que os espíritos amigos nada falam sem motivo superior, educando e advertindo sempre, resolvi mergulhar por dentro de mim mesma, de modo a reviver toda minha vida, desde criança.

Que surpresa, quantas lembranças! Lembranças que, bem analisadas, não passavam de mágoas escondidas. Compreendi naquele mergulho que o amigo espiritual não falara de pedras que eu trazia no coração, mas sim de grãos de areia imperceptíveis, que acumulados tornavam-se tão pesados, quanto uma grande pedra a ser carregada.

Aí então pensei: é isto! São os pequeninos grãos de areia das mágoas não esquecidas, não perdoadas ou resolvidas, que nos sufocam – sutis e imperceptíveis, por tanto tempo...

Assim, a partir daquele entendimento passei todos os dias a varrer meu coração com a vassoura do perdão.

Esta é uma experiência minha, aliás, todas as nossas experiências são individuais, que gostaria de transmitir àqueles que, como eu, estão com os seu corações pesados e não sabem os motivos.

No entanto, todos podem também mergulhar em si mesmos, para neste mergulho perceberem o quanto pesam os muitos grãos de areia acumulados, por dentro dos corações.

Esforcemo-nos para que o legado de nossas vidas seja realmente o amor.

Sheila Paes Barreto Silva

Porciúncula, em abril de 2010